Após a experiência frustrante de Batman VS Superman, que é recheado de boas ideias e ótimos momentos, mas que sofrem por terem sido pouco amadurecidos durante a concepção do roteiro gerando uma experiência incompleta e cansativa, esse Capitão América Guerra Civil é um bom exemplo do potencial que um filme de super-heróis pode nos proporcionar, levantando questões relevantes do nosso cenário político mundial, entregando uma história crível e bem elaborada, composta por personagens que possuem motivações bem determinadas e verossímeis, além de um senso de humor orgânico e cenas de ação deslumbrantes.

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Tendo início com os heróis principais em ação, os irmãos Russo envolvem por aquela que talvez seja sua característica mais marcante: a direção de ação. Mais experientes que em Capitão América 2, os diretores estabelecem uma lógica visual nas cenas de duelo e em toda a mise-en-scene que realmente é invejável, conseguindo narrar de maneira eficiente ações paralelas que se passam em espaços diferentes sem que percamos a geografia da cena e o entendimento do que está acontecendo. Aliado a isso, temos o roteiro caminhando de maneira inteligente para pôr em evidência as consequências das atitudes tomadas pelos Vingadores, a importância e o eventual perigo que representam. Nesse ponto temos nas motivações dos personagens o motor do filme, e é muito gratificante ver que o roteiro lida com as personalidades dos heróis para traçar suas motivações de maneira extremamente convincente e natural, ao mesmo tempo que tira proveito de toda uma série de filmes produzidos pela Marvel ao longo dos dez últimos anos. Num longa povoado por vários personagens, nenhum deles sai subaproveitado e todos tem o seu momento de se expressar.

Outro aspecto que deve ser destacado é o fato de que não há maniqueísmo no filme. Nenhum dos lados é tido como certo ou errado e mesmo o vilão do filme tem motivações fortes e até comoventes para justificar suas ações. Possivelmente é o filme tematicamente mais sombrio dos heróis Marvel, mas nem por isso deixa de ter a sua dose de humor, que nunca soa forçado ou burocrático.

Os irmão Russo aproveitam o momento do enfrentamento dos heróis para mostrar maior maturidade e elegância ao expor a maneira como os personagens usam seus poderes para superar os de outros, sem que percamos de vista onde os personagens estão em relação aos outros e expondo as consequências de alguns atos tomados.

O desempenho dos atores é muito eficiente e expõe o quanto o elenco é capaz de lidar com conflitos complexos de seus personagens, com destaque à nova dimensão dada à Tony Stark ao decorrer do longa, além de um Homem-Aranha que nunca antes tinha feito parte do universo da Marvel Studios, mas que aqui apresenta a sua faceta mais interessante no cinema.

A música composta por Henry Jackman não se destaca do filme, mas evoca a sensação de urgência ou mesmo de melancolia nos momentos apropriados. A fotografia não sofre da estilização extrema, mas evidencia as cores e valoriza os efeitos visuais que se sustentam muito bem na tela.

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Por fim recebemos aquilo que de melhor um longa de super-heróis poderia oferecer, ótimas sequências de ação, bom de desenvolvimento de personagens e atuações, roteiro inteligente e bom humor, além de algumas questões mais sérias, tudo funcionando num equilíbrio invejável.

Direção: Anthony Russo , Joe Russo
Elenco: Chris Evans , Robert Downey Jr. , Scarlett Johansson , Sebastian Stan , Don Cheadle, Paul Bettany , Chadwick Boseman , Anthony Mackie , Jeremy Renner , Elizabeth Olsen , Paul Rudd , Tom Holland , Marisa Tomei , Emily VanCamp , Daniel Brühl , William Hurt , Martin Freeman , John Kani , John Slattery , Alfre Woodard , Jim Rash , Hope Davis
Roteiro: Christopher Markus , Stephen McFeely
Fotografia: Trent Opaloch
Música: Henry Jackman
Montagem: Matthew Schmidt , Jeffrey Ford

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